Conheça os momentos mais estratégicos para capitalizar a empresa

Conheça os momentos mais estratégicos para capitalizar a empresa

9 minutos de leitura

Um dos pontos cruciais na existência de qualquer negócio é saber quando está na hora de buscar dinheiro de terceiros para financiar projetos. Afinal, capitalizar a empresa é uma ação importante para buscar crescimento, mas se for feita no momento errado ou por motivos equivocados, pode afundar a companhia em um mar de dívidas.

Porém, mesmo assim, não há motivos para ter medo da capitalização. Embora seja mais correto financiar projetos com capital próprio, é melhor contar com o dinheiro que vem de fora do que adiar projetos importantes por falta de condições de pagá-lo.

Para saber diferenciar qual é a linha tênue que separa uma capitalização bem-sucedida de uma desnecessária ou prejudicial, ressaltamos neste artigo quais são os momentos mais estratégicos para conseguir capital externo, e qual a melhor forma de fazê-lo. Confira!

Necessidade de capital de giro

O capital de giro é essencial para as empresas. É ele que garante que obrigações como folha de pagamento, impostos e fornecedores sejam pagas em dia. No entanto, reveses econômicos podem reduzir a quantia necessária para que o negócio atue, prejudicando a empresa e gerando dívidas desnecessárias.

Caso a empresa não esteja endividada demais, esse é um bom momento para buscar capitalizar a empresa. Empréstimos de capital de giro são comuns e existem linhas de crédito mais baratas com essa finalidade. Portanto, não deve ser difícil conseguir o dinheiro necessário.

Mas esteja atento: a necessidade de capital de giro pode ser um sinal de má gestão do dinheiro. Antes de buscar o financiamento, esteja ciente de que é preciso revisar os documentos financeiros da empresa e descobrir se a descapitalização foi causada por uma exceção — mudanças bruscas no cenário econômico —, ou se é preciso rever as finanças da empresa.

Investimento em maquinário

Empresas que precisam de máquinas para operar, inevitavelmente precisarão realizar trocas ou até mesmo adquirir novos equipamentos para aumentar sua capacidade de produção. Entretanto, não é raro que esses itens tenham valores bastante elevados, que podem até mesmo inviabilizar sua compra.

Para esses casos, um projeto de compra mais específico é mais útil. É preciso saber quanto a empresa vai lucrar a mais com essa nova aquisição, quanto pagará de impostos nessa compra e até mesmo se possui capacidade de produzir ou comprar todos os insumos necessários para abastecê-la — incluindo mão de obra especializada.

Isso evita alguns erros quase amadores, como achar que só é necessário o valor da máquina para a aquisição. Caso ela seja importada, o valor do transporte e impostos pagos pode facilmente fazer com que o montante inicial dobre, colocando o negócio em uma situação delicada. Ou então que a companhia compre uma máquina que não dá o lucro esperado.

Se o cenário da aquisição após essa análise ainda for positivo, a busca por capitalizar a empresa é estratégica. Nesses casos, há quem prefira recorrer a financiamentos tradicionais, como os oferecidos pelo BNDES. Mas opções não faltam, já que investidores-anjo ou Private Equity também são boas opções.

Projetos de expansão do negócio 

Existem diversas maneiras de se expandir uma empresa. Alguns exemplos são a abertura de uma nova sede, a ampliação da produção e a expansão do território atendido. E esse tipo de projeto certamente necessita de um importante aporte de capital.

Caso a empresa ainda não tenha condições de arcar com esse projeto, há a possibilidade de atrair investidores. O processo exige um bom plano de negócios da expansão e um relatório completo das finanças da empresa que comprove uma situação estável.

É importante ressaltar que esse tipo de projeto é um dos mais interessantes para os investidores, pois são baseados em uma ideia que deu certo e têm potencial altamente rentável. Por isso é tão importante que as finanças da empresa estejam em ordem — somente esse detalhe poderá inviabilizar os planos de capitalização.

Timing interessante

Nem sempre a capitalização surge de uma demanda interna da empresa. O mercado externo influencia diretamente os negócios, e não é raro que ele envie os sinais de que é o momento certo para uma capitalização.

Um bom exemplo são as empresas que decidem fazer um processo de IPO (Oferta Pública Inicial) para vender ações na bolsa de valores. O processo completo, desde a sua estruturação, passando pela burocracia até o lançamento, pode levar anos.

Muitas vezes, porém, as empresas fazem toda a trajetória e acabam não abrindo o IPO devido ao momento que o mercado passa. Isso não significa que elas desistiram do processo de capitalização: elas estão apenas aguardando a melhor hora para lançar a oferta.

Mesmo em empresas menores, que não desejam ter ações na bolsa de valores, estar atento aos sinais do mercado pode fazer toda a diferença para uma estratégia de crescimento adequada.

Um bom exemplo é estar atento à taxa de juros básica do Banco Central. Ela rege o mercado de crédito como um todo, e momentos de baixa podem ser excelentes indicações de que está na hora de buscar um financiamento para impulsionar o crescimento da empresa, pagando pouco por isso.

Quando não capitalizar a empresa?

Apresentamos, até agora, os melhores cenários para que uma empresa busque uma capitalização externa. Porém, nem sempre é uma boa ideia correr atrás de dinheiro de terceiros para financiar projetos. Algumas dessas situações são:

  • quando a empresa está endividada: se o negócio busca uma capitalização porque está afundado em dívidas, há grandes chances de ficar marcada no mercado como uma aposta arriscada. Vai ser difícil conseguir o dinheiro, e mesmo que ele venha, terá um custo mais alto;
  • quando as finanças não estão organizadas: um erro bastante comum é não organizar as demonstrações financeiras e contábeis antes de entrar em contato com possíveis capitalizadores. Quem precisa do dinheiro deve provar que o negócio é viável;
  • quando não se sabe se o retorno virá: cada projeto que vai para capitalização deve ser muito estudado. Se a empresa ainda não sabe se ele terá um ROI interessante, ainda não é o momento de partir para o mercado.

Tipos de capitalização 

Agora que você já sabe quais os momentos estratégicos para fazer uma capitalização, é interessante conhecer melhor quais tipos de financiamento externo estão disponíveis para as empresas.

Um profissional contábil ou financeiro com experiência certamente já lidou com, pelo menos, uma dessas possibilidades durante sua carreira, mas é sempre interessante conhecer — ou relembrar — novas opções para coletar dinheiro no mercado.

Empréstimos de instituições financeiras

Os empréstimos estão entre as maneiras mais conhecidas de capitalizar a empresa, mas, não raro, estão entre as mais caras. O principal ponto negativo de se obter um empréstimo é que o dinheiro precisa ser devolvido com juros, o que nem sempre se encaixa nas finanças da empresa.

Devem recorrer aos empréstimos os negócios que possuem dívidas simples e que não estejam comprometidos com muitos pagamentos em curto e longo prazo (é imprescindível levantar todas as compras parceladas ao fazer essa conta).

Pesquisar as taxas de juros também é essencial. Bancos estatais, como o BNDES, costumam ser as melhores opções. Porém, linhas de crédito de bancos privados podem atender às necessidades de muitas empresas.

Desmobilização

A desmobilização é uma ótima ideia para as empresas que estão com dificuldades financeiras. A premissa é simples: vender itens do ativo imobilizado que não estão em uso. Os artigos podem variar, desde imóveis, móveis e até objetos de investimento, como obras de arte.

Ela também é uma opção quando a empresa pretende trocar de maquinário. Assim, parte do dinheiro do pagamento do novo equipamento vem da venda do antigo. Isso também é ótimo do ponto de vista contábil, pois maquinário parado é dinheiro parado, e ainda por cima gerando impostos.

Busca de sócios ou investidores-anjo

Se a empresa não tem problemas em abrir mão de uma parte da companhia para atrair dinheiro, a busca de um sócio é um caminho mais que interessante. O melhor dessa parceria é que se obtém o dinheiro vital sem a necessidade de pagar de volta — o investidor recupera o montante quando o projeto de crescimento começar a dar lucros.

O grande “porém” dessa forma de capitalização é que a administração da empresa pode ter interferências do novo sócio, e a sua influência precisa ser conversada antes mesmo de fechar o contrato.

Venda de parte da companhia a um Private Equity

Fundos de Private Equity fazem investimentos em empresas promissoras. Assim como o sócio, eles ganham parte da empresa e dos lucros como troca pelo capital investido. No entanto, por serem um grupo, não costumam interferir na governança de um negócio.

A venda para um fundo costuma acontecer em grandes empresas que estão se preparando para abrir ações no mercado, já que o estilo de administração exigido — altamente transparente — é bem semelhante com o necessário para o mercado financeiro.

Abertura de IPO

A venda de ações na bolsa de valores também é um processo de capitalização de empresas. Embora seja feita, em grande parte, por empresas grandes, qualquer companhia pode dar entrada no processo para vender suas ações.

Um dos fatores que atrapalham a captação via mercado de capitais é o tempo que demora a chegar ao IPO: dependendo da empresa, 3 anos de preparação e trabalho intensos. Além disso, o custo do processo burocrático não é acessível a qualquer negócio.

Também é preciso ser completamente transparente sobre as finanças da empresa, inclusive em pontos estratégicos — o que pode assustar profissionais que não estejam habituados com o mercado.

O lado positivo, porém, é que todo o dinheiro captado com a oferta inicial é da empresa, e, a partir daí, basta ela ser bem administrada que seu valor de mercado só cresce.

Independentemente do tipo de negócio que você tem ou administra, em algum ponto da trajetória será necessário capitalizar a empresa para financiar algum projeto. Agora você está pronto para identificar quando esse processo vale a pena e quais as melhores alternativas para fazê-lo.

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