Saiba o que é a DRE na contabilidade

Saiba o que é a DRE na contabilidade

11 minutos de leitura

Várias são as características necessárias a um bom contador. Ter visão sistêmica do negócio, estar por dentro das novidades e em constante processo de formação são algumas delas.

E, se há algum tempo o contador confeccionava as demonstrações contábeis apenas para atender às obrigações acessórias do Fisco, hoje essas demonstrações têm ganhado um papel cada vez mais estratégico junto à administração e a outras áreas do negócio.

Assim, trouxemos este artigo para apresentar, de forma simples, a importância da DRE na contabilidade. Leia as informações com bastante atenção e entenda esse documento de uma vez por todas!

O que é Demonstração de Resultados do Exercício (DRE)?

O Manual de Contabilidade Societária define a Demonstração de Resultados do Exercício (DRE) como “uma apresentação resumida das operações realizadas pela empresa durante o exercício social, de forma a destacar o lucro líquido do período“. A DRE deve ser uma representação do desempenho da entidade em um determinado período, demonstrando suas receitas e despesas, incluindo perdas e ganhos.

Apesar de ser obrigatória, a DRE já foi uma peça contábil subvalorizada pelas pequenas e médias empresas. Era prática comum confeccioná-la somente uma vez por ano apenas para atender às obrigações fiscais.

Hoje, porém, a exemplo das grandes companhias, essas mesmas empresas veem na elaboração mensal da DRE uma grande ajuda para avaliar quesitos importantes como faturamento, custos e rentabilidade de suas operações.

A elaboração da DRE pode variar de uma empresa para outra, a fim de cumprir com as necessidades gerenciais que podem mudar, dependendo da atividade e do porte da empresa. No entanto, deve-se sempre observar as regras para sua confecção, que estão especificadas pela Lei nº. 6.404/76.

DRE e o padrão internacional de reporte

As novas normas de contabilidade definidas pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) têm por objetivo harmonizar as normas e padrões contábeis brasileiros com aquelas definidas internacionalmente pelo International Financial Reporting Standards (IFRS).

Esse padrão de demonstrações contábeis é utilizado quando o objetivo é fornecer informações que sejam úteis aos usuários em geral em lugar de atender apenas às necessidades de grupos específicos de usuários.

Com isso, para que a DRE atenda ao padrão internacional de reporte, é necessário observar os seguintes pronunciamentos emitidos pelo CPC:

  • CPC 00 (R1) – Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro: estabelece os conceitos que fundamentam a elaboração e a apresentação de demonstrações contábeis destinadas a usuários externos;
  • CPC 36 – Demonstrações Consolidadas: deve ser aplicado na elaboração e apresentação de demonstrações contábeis consolidadas de grupo econômico de entidades sob o controle de uma mesma empresa controladora;
  • CPC 35 – Demonstrações separadas: deve ser aplicado na contabilização de investimentos em controladas, em coligadas e em empreendimentos controlados em conjunto, sempre quando a entidade investidora eleger, ou for requerida pela legislação local, a apresentar demonstrações separadas.

Empresas de menor porte, porém, não precisam observar os pronunciamentos acima, já que apresentam estruturas e operações mais simples. Para essas, o CPC emitiu um pronunciamento exclusivo: o CPC — PME  Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas.

Principais itens da DRE na contabilidade

Uma vez que a legislação não estabelece um modelo padrão único para a DRE, cada contabilista deve observar as normas vigentes para elaborar um formato que melhor atenda às necessidades gerenciais e fiscais da empresa. Todavia, trazemos um modelo sintético bastante comum para a demonstração de resultados:

Faturamento bruto

(-) Deduções e impostos sobre as vendas

(=) Receita líquida

(-) Custos dos produtos vendidos / serviços prestados

(=) Lucro bruto

(Despesas)  / receitas operacionais

(-) Despesas com vendas

(-) Despesas administrativas

(-) Despesas tributárias

(-) Despesas gerais

(-) Outras despesas operacionais

(+) Outras receitas operacionais

(=) Resultado antes de despesas e receitas financeiras

(-) Despesas financeiras

(+) Receitas financeiras

(=) Resultado antes do Imposto de Renda e da Contribuição Social

(-) Imposto de Renda

(-) Contribuição Social

(Despesas)  / receitas não operacionais

(-) Despesas não operacionais

(+) Receitas não operacionais

(=) Resultado líquido

Como elaborar a DRE?

Em princípio, para elaborar uma DRE, basta reunir as informações necessárias e estruturar o documento, realizando os cálculos pertinentes. No entanto, é importante que algumas boas práticas sejam seguidas para que o demonstrativo atinja suas finalidades legais e seja compreendido pelos gestores de empresas:

Consultar as normas do artigo 187 da lei das Sociedades Anônimas 

Como as sociedades por ações são regulamentadas por normas mais rigorosas do que os demais tipos societários, a DRE prevista para as companhias é bastante completa e serve de orientação até mesmo para outros tipos de empresa.

Por isso, uma das maneiras de entender os principais itens do documento fiscal é consultar o artigo 187 da lei 6404/76. A norma fixa uma lista com os itens que devem ser computados e as informações a serem discriminadas, como receitas, despesas, lucro ou prejuízo operacional etc.

Vale ressaltar que, ao cumprir esses parâmetros, a organização contará com um quadro transparente do desempenho no exercício fiscal, o que será relevante para tomar decisões e, em alguns casos, obter financiamentos.

Verificar as informações necessárias 

A partir das orientações do art.187 e dos principais itens da DRE, o ideal é que, antes de tudo, você elabore uma cheklist das informações necessárias, especialmente dos documentos que não estão disponíveis no departamento contábil. Com efeito, ao realizar os contatos com outros setores, haverá um prazo razoável e a possibilidade de acompanhar o atendimento das solicitações.

No entanto, a atividade tende a não ser um grande problema se os livros contábeis estiverem devidamente organizados, especialmente se a empresa utiliza um software para coletar, interpretar e exibir os fatos contábeis de cada exercício. Afinal, serão poucas as necessidades além do que já consta no departamento.

Estruturar a DRE

Além de atender às exigências legais, a DRE é um importante subsídio para tomada de decisões, porque retrata o desempenho da organização em certo período. Logo, o documento deve ser estruturado de forma facilmente compreensível. Os principais itens são os seguintes:

  1. faturamento bruto: todos os valores que a empresa obteve no período sob análise;
  2. receita líquida: faturamento bruto – deduções (impostos, abatimentos, devoluções de vendas e descontos concedidos para clientes);
  3. lucro bruto: receita líquida – custos de mercadorias e serviços;
  4. prejuízo ou lucro operacional líquido: (lucro bruto + outras receitas operacionais) – despesas gerais, administrativas, financeiras e operacionais;
  5. lucro ou prejuízo líquido do exercício: (lucro ou prejuízo operacional líquido + acréscimos não operacionais) – gastos não operacionais, como pagamento de debenturistas, empregados, administradores etc.

Essa estrutura básica pode ser discriminada para atender às demandas específicas de uma empresa. Por exemplo: no modelo de DRE apresentado no começo deste conteúdo, optou-se por elencar os resultados — lucro ou prejuízo — antes e depois da incidência do Imposto de Renda e da Contribuição Sindical.

Criar uma planilha para organizar os itens fundamentais

Os itens essenciais da estrutura da DRE devem ser organizados em uma planilha, que possibilite um rápido ajuste desses cálculos, bem como o acompanhamento dos resultados ao longo do exercício financeiro.

Essa prática facilita a tarefa do profissional da área, que pode organizar o fluxo de trabalho, inserindo gradualmente as informações, sem a necessidade de refazer cálculos.

Além disso, a planilha torna a informação mais acessível aos não contadores — isso porque os pontos que mais influenciaram no resultado do exercício estarão devidamente discriminados, com a indicação do respectivo impacto financeiro.

Utilizar ferramentas de automatização

Atualmente, a melhor medida para acelerar a elaboração da DRE é a utilização de um software capaz de automatizar tarefas. A solução digital reduz o número de lançamentos manuais, especialmente das notas fiscais.

Nesse sentido, se a empresa utilizou o aplicativo para registrar as movimentações durante o exercício, os fatos contábeis já integram o banco de dados. Logo, o programa terá todas as informações necessárias para emitir a DRE, realizando os cálculos e produzindo o documento.

Outra vantagem é a própria montagem automatizada, sem a necessidade de que o profissional perca tempo formatando o arquivo. Trata-se de algo similar ao que acontece com as notas fiscais, em que, a partir dos dados cadastrados, o documento é emitido imediatamente.

Sendo assim, o contador voltará seus esforços para garantir que o banco de dados esteja completo, com o registro adequado de todas as mudanças em direitos e obrigações do período, bem como para assegurar que o documento final atenda às necessidades da empresa.

Adicionar notas explicativas

Uma boa prática em relação às demonstrações contábeis é anexar pequenos textos explicando os métodos utilizados e as informações obtidas. A medida dá maior transparência ao documento e facilita o entendimento dos destinatários, que, muitas vezes, são profissionais de outras áreas (administradores, advogados etc.).

Assim, embora não sejam obrigatórias em relação à DRE, essas notas exercem um papel importante e não devem ser menosprezadas pelo contador. Algumas orientações sobre como podem ser elaboradas estão previstas na Lei n.º 6404/76:

Art. 176,§5º As notas explicativas devem: 

I – apresentar informações sobre a base de preparação das demonstrações financeiras e das práticas contábeis específicas selecionadas e aplicadas para negócios e eventos significativos; 

II – divulgar as informações exigidas pelas práticas contábeis adotadas no Brasil que não estejam apresentadas em nenhuma outra parte das demonstrações financeiras; 

III – fornecer informações adicionais não indicadas nas próprias demonstrações financeiras e consideradas necessárias para uma apresentação adequada; (…)

Sendo assim, é recomendável que você leia o dispositivo legal completo e verifique quais dados podem ajudar os profissionais da sua empresa a compreenderem a DRE.

Como analisar a DRE?

As duas formas mais comuns de se analisar a DRE são: utilizar a análise vertical e a análise horizontal.

Análise Vertical

Na análise vertical, calcula-se o percentual de cada rubrica da DRE em relação ao faturamento bruto. Assim, é possível analisar quais despesas foram responsáveis por diminuir ou aumentar a margem de lucro da empresa em um determinado período.

Análise Horizontal

Ao contrário da primeira, o objetivo da análise horizontal é acompanhar a variação em uma mesma rubrica de receitas ou despesas ao longo de dois ou mais períodos.

Essas duas análises são complementares e devem ser utilizadas em conjunto. É possível ainda somar a essas análises o uso de indicadores de resultados.

Análise de indicadores de resultado

Os indicadores de resultado são uma ferramenta importante para os gestores de empresas de todos os portes. Eles permitem decisões mais assertivas sobre os rumos do negócio e podem também servir como base para a elaboração de planos de metas.

Os principais indicadores obtidos a partir da DRE são:

  • Margem de lucro líquida: é o valor percentual obtido pela divisão do Resultado Líquido (Lucro Líquido) pela Receita Líquida. Quanto maior for o índice encontrado, melhor;
  • Margem operacional: representa a porcentagem de cada real de venda que restou após a dedução das despesas operacionais (despesas com vendas, administrativas e tributárias);
  • EBITDA: expressão em inglês para o Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (LAJIDA). É bastante utilizado por ser o indicador que melhor expressa a relação entre o resultado e o retorno de dinheiro em caixa decorrente das atividades da empresa no período.

Qual a importância da DRE?

A DRE na contabilidade não funciona sozinha. Ela faz parte de um conjunto de demonstrações que também é composto pelo balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado Abrangente, Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido e Demonstração dos Fluxos de caixa, Demonstração do Valor Adicionado e Notas Explicativas.

Estar familiarizado com essas demonstrações é fundamental para uma boa gestão financeira (mesmo para os profissionais de outras áreas), além de ser importante para a definição de estratégias e o cumprimento de obrigações.

Igualmente, os documentos contábeis são instrumentos de prestação de contas para sócios, parceiros, fornecedores, governos e demais agentes econômicos. As entidades públicas, por exemplo, tomam os livros da área como meio de prova das atividades da empresa.

Sendo assim, agora que você já sabe um pouco mais sobre a DRE, não deixe de aplicar as dicas mencionadas para montar documentos que possam ser facilmente compreendidos e dar transparência à situação do negócio em cada um dos seus exercícios.

Para continuar se atualizando sobre os diversos documentos financeiros e contábeis, acesse nosso texto sobre a diferença entre demonstração financeira e contábil! Boa leitura!

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