O que é Due Diligence? Entenda o conceito e sua aplicação em empresas

O que é Due Diligence? Entenda o conceito e sua aplicação em empresas

9 minutos de leitura

A Due Diligence pode ser entendida como um sinônimo de auditoria. Entretanto, não é possível afirmar que ela seja uma mera auditoria, como pode parecer em um primeiro momento. Então, afinal, o que é a Due Diligence?

Ela pode ser conceituada com um processo aprofundado de estudo, análise e avaliação de informações e documentos de diversos setores de uma empresa.

Neste post, além de compreender a fundo o conceito deste processo, você vai entender a importância da sua aplicação prática, o impacto que gera nas empresas e como ela pode influenciar positivamente nas estratégias de gestão contábeis e fiscais. Acompanhe!

Entendendo os conceitos

A Due Diligence é um processo que envolve o estudo, a análise e a avaliação detalhada de informações de uma determinada sociedade empresária.

Este estudo pode abarcar aspectos financeiros, contábeis, previdenciários, trabalhistas, imobiliários, tecnológicos e jurídicos da empresa. Na verdade, qualquer setor/departamento pode ser avaliado por meio de um processo de Due Diligence.

Trata-se de um processo exigente de auditoria, feito para investigar e diagnosticar a gestão financeira, contábil e fiscal, trabalhista, previdenciária, ambiental, jurídica, imobiliária, de propriedade intelectual e até mesmo tecnológica da empresa.

Essa rigorosa auditoria envolve etapas pré-organizadas e definidas por meio do trabalho de um consultor especializado neste tipo de estudo.

No âmbito contábil, a Due Diligence abrange:

  • análise aprofundada de documentos e demonstrações contábeis e financeiras;
  • avaliação da situação financeira do negócio;
  • verificação da existência de possíveis riscos ou oportunidades para o negócio;
  • revisão da situação contábil;
  • análise dos passivos diante das obrigações presentes e futuras já assumidas;

Por que realizar a Due Diligence na sua empresa?

O processo de Due Diligence permite que você tenha uma visão ampla da real situação do seu negócio. Além disso, estudos como este são exigidos às empresas em casos de venda, fusão ou incorporação do negócio.

Realizar esta pesquisa vai ajudar a compreender alguns aspectos importantes sobre a empresa:

  • posicionamento no mercado;
  • projeção para o futuro;
  • principais concorrentes e base de concorrência;
  • situação fiscal e contábil, e estratégias que precisam ser formuladas para evitar problemas financeiros;
  • principais riscos relacionados ao negócio; entre outros.

O empresário que busca vender, ou está à procura de investidores para o seu negócio, deve estar atento à situação em que a empresa se encontra e de que forma é possível melhorar, otimizar processos e sanar problemas, muitas vezes, antes mesmo que eles apareçam.

Esta, aliás, é uma das grandes vantagens da Due Diligence: com ela é possível prever e mensurar situações de risco que, até então, sequer haviam sido diagnosticadas.

Due Diligence preventiva

Um processo de Due Diligence envolve a coleta do máximo de informações possível, de maneira a realizar um levantamento detalhado acerca da situação do negócio.

Quanto maior a quantidade de informações colhidas, mais preciso é o resultado do estudo realizado.

A realização deste processo de maneira preventiva garante que o empresário tenha subsídios e elementos concretos para compreender a situação real da sua empresa, baseado em dados — e não apenas em suposições ou em um mercado volátil, com uma economia que está atrelada a aspectos econômicos e políticos.

Quem realiza a Due Diligence

O processo é realizado por consultorias especializadas no assunto. Dependendo do objetivo da empresa, pode ocorrer a participação de especialistas de diversas áreas, como advogados e contadores, trabalhando conjuntamente.

No setor contábil, muitos profissionais oferecem este tipo de serviço. Na hora de contratar, é importante consultar o histórico do profissional e conversar com clientes atendidos por ele, garantindo assim a contratação de um contador sério e comprometido.

Alguns empresários realizam este estudo por conta própria, entretanto, este tipo de iniciativa não é indicado, principalmente porque não possui validade frente ao mercado — o que impacta em casos de venda ou fusão do negócio, por exemplo.

A BLB Brasil Auditores e Consultores possui um time especializado em Due Diligence. Entre em contato conosco e saiba mais.

Processos da Due Diligence

O processo, quando realizado por consultorias especializadas, envolve três momentos principais:

Motivação

É a primeira etapa, quando é feito um mapeamento da sociedade de forma a prepará-la para o processo da Due Diligence. É uma espécie de observação inicial, que permite ao consultor conhecer o negócio, suas principais características e entender qual será a melhor estratégia de trabalho naquele ambiente.

Prática

A segunda etapa é o desenvolvimento do trabalho em si. O auditor solicitará uma série de documentos e informações sobre o negócio. Esses documentos variam de acordo com o escopo da Due Diligence. A análise contábil inclui a avaliação de documentos e informações como:

  • livros fiscais;
  • balanço e demonstrações de resultados;
  • demonstrações financeiras dos últimos 4 ou 5 exercícios;
  • certidões fiscais;
  • dados sobre ativo e passivo;
  • documentos de declaração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica;
  • informações/registros contábeis;
  • cópia de atas;
  • comprovantes de recolhimento de tributos, etc.

Nesta etapa, o auditor vai recolher o maior número de documentos que for possível, de tal forma que possa ter embasamento para realizar uma análise completa e aprofundada da situação do negócio.

Vale ressalvar que mesmo informações sigilosas devem passar pelo olhar do consultor, portanto, é importante firmar um contrato de confidencialidade com o profissional, evitando assim qualquer risco de vazamento de informações — abordaremos em breve alguns detalhes sobre este documento.

Ainda, o profissional pode buscar documentos fora da empresa, como em órgãos públicos municipais, estaduais e federais. Quanto mais informações colhidas, mais concreto será o resultado do processo de análise do negócio.

Todo este procedimento é longo, e o tempo de duração varia de acordo com o tamanho do negócio e o escopo da Due Diligence. Mas a regra, neste caso, é que a auditoria deve ser lenta e aprofundada, justamente para garantir a exatidão e abrangência do estudo.

Realizada a análise de todos os documentos disponibilizados, os profissionais envolvidos no estudo avaliarão os dados reunidos e identificarão os pontos positivos e negativos do negócio. Situações de risco serão informadas, bem como aspectos que merecem investimentos.

Disto sairá um relatório completo, direcionando a empresa para estratégias que podem ser acionadas de maneira a melhorar o negócio.

Resultado

O resultado da Due Diligence vai depender do objetivo inicial da empresa. No caso de uma avaliação que precede venda ou fusão, o relatório será encaminhado para o interessado para elaboração de minutas dos respectivos contratos de transferência, fusão ou aquisição, compra e venda de ações ou documentos necessários para o fechamento da operação pretendida.

Ao contrário, se o objetivo da Due Diligence é o de conhecer o negócio para melhorar as estratégias de ação e dar passos mais seguros, este tipo de estudo será utilizado para embasar suas decisões, permitindo que a empresa possa ganhar mercado, conquistar novos clientes, ingressar novos segmentos ou até mesmo redefinir seu foco de trabalho.

Regras para uma boa Due Diligence contábil

Para realizar uma Due Diligence contábil que realmente funcione, é necessário seguir algumas regras importantes. Acompanhe a seguir!

  • O consultor deve focar em informações realmente relevantes, evitando a análise de documentos que possam trazer dados que não impactem no resultado final do estudo.
  • Deve manter uma relação cordial com os funcionários responsáveis pela entrega de documentos e fornecimento de informações. Normalmente, essa relação pode ser complicada, pois os funcionários têm receio de auditores. Vale tomar cuidado e evitar situações como essa.
  • O consultor deve focar os itens que pretende pesquisar. O foco no setor contábil, por exemplo, deve ser mantido durante todo processo, caso seja este o objetivo do estudo.
  • Deve planejar e solicitar informações com antecedência.
  • Deve evitar envolvimento muito próximo com os funcionários da empresa.
  • Deve evitar requisitar informações constantemente. O planejamento na solicitação de informações é imprescindível para evitar incomodar a rotina de trabalho dos funcionários da empresa.
  • A empresa deve concentrar em um ou dois funcionários o contato e a entrega das informações para o consultor.
  • Quando for o caso, e se houver necessidade, o consultor pode solicitar pequenas reuniões em conjunto para sanar dúvidas mais específicas.
  • Deve, ainda, evitar solicitar documentos em períodos de pico de trabalho para o setor contábil, como, por exemplo, no período de fechamento de demonstrações financeiras, um momento de muito movimento no setor.

Trabalho preliminar

Ainda, é muito importante realizar um trabalho preliminar com os funcionários da empresa, organizando uma reunião com os colaboradores explicando o que é a Due Diligence, como é feita, quais colaboradores envolverá, quais departamentos serão solicitados e qual é seu objetivo.

É importante que os profissionais da empresa conheçam o cronograma de trabalho e estejam cientes do processo ao qual a empresa será submetida. Como é um processo relativamente longo, é importante que os colaboradores saibam o que está acontecendo no negócio.

O acordo de confidencialidade

O acordo de confidencialidade é um documento que garante que os consultores e profissionais envolvidos no processo de Due Diligence se comprometam a manter o sigilo das informações tratadas no processo.

Esse contrato compromete judicialmente quanto à exposição de informações da empresa. O risco de vazamento destas informações envolve, principalmente, empresas concorrentes que possam estar de olho no negócio.

Neste sentido, o ideal é que informações importantes e estratégicas só sejam reveladas para um grupo fechado de pessoas, após firmado o acordo de confidencialidade.

Conhecer este processo de auditoria e aplicá-lo à realidade da empresa é uma oportunidade de conhecer problemas que possam estar ocultos e que, não identificados, possam vir a causar problemas futuros para o negócio. Além disso, o mapeamento de informações pode ser utilizado como base para a adoção de estratégias de investimentos com mais segurança e confiabilidade.


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