Tudo sobre o programa de Educação Profissional Continuada - PEPC

Desde a criação do Plano Real, em meados da década de 1990, a profissão contábil vem ganhando mais destaque não só dentro das empresas, mas também perante a sociedade como um todo.

Talvez ainda esteja longe da importância e da popularidade dadas nos Estados Unidos, país em que a contabilidade é mais disputada do que medicina, direito e engenharias, mas notadamente a profissão contábil ganha mais espaço em terras brasileiras.

Com esse espaço ampliado, o trabalho dos contabilistas passou a ser analisado de maneira mais contínua e detalhada. Principalmente por parte de outros profissionais, que demandam essa atividade tão específica e que contribui diretamente para o crescimento da empresa de maneira organizada.  

O fato é que se vislumbrou, em paralelo com esse crescimento de importância do trabalho contábil, uma maneira de manter contínuo e garantido o nível de conhecimento técnico por parte dos profissionais contábeis.  

Com isso, foi colocado em vigência o Programa de Educação Profissional Continuada (PEPC), que tinha, inicialmente, o objetivo de fazer com que
os contadores passassem por uma reciclagem constante como requisito de manutenção de suas atividades profissionais

Era evidente a preocupação que os órgãos reguladores da profissão contábil tinham de que a qualidade dos serviços não apenas fosse aumentada, mas que ela fosse mais valorizada perante os olhos da sociedade, garantindo o alcance do papel de reguladores que eles
possuíam e possuem sobre a profissão contábil.

Posteriormente, os responsáveis técnicos pela elaboração das demonstrações contábeis também foram enquadrados na obrigatoriedade de atender ao PEPC.

A partir de agora, vamos verificar todos os detalhes desse programa, que aprimora a qualidade dos serviços contábeis e aumenta o reconhecimento da profissão no Brasil.

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O QUE É O PEPC?

O PEPC é muito específico em seus objetivos. Por ser um programa de educação continuada, busca fazer com que o nível de conhecimento dos profissionais seja mantido no mais alto grau, reduzindo a possibilidade de ocorrência de erros e falhas durante a prática profissional.

Como é regulamentado pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), o órgão é responsável pela unificação do sistema de controle e de validação das atividades do programa, o que acaba por permitir uma fiscalização efetiva.

A consequência natural é a padronização das atividades de qualificação profissional de auditores, contadores e demais técnicos responsáveis por elaborar as demonstrações contábeis das empresas no Brasil.

Para garantir que todos os profissionais acessem o programa e conquistem a sua qualificação, o CFC é o responsável pelo gerenciamento e credenciamento das entidades de ensino, conhecidas como capacitadoras. Estas são as responsáveis pelo fornecimento do conhecimento necessário para que o PEPC possa ser operacionalizado.

As instituições de ensino capacitadoras passam por critérios de seleção rígidos, definidos pelo próprio CFC, para garantir que a qualidade dos treinamentos ministrados para contadores e auditores esteja de acordo com o esperado para estes profissionais.

Tanto a estrutura da empresa quanto a experiência dos instrutores passa por validações do conselho.

Portanto, se um treinamento está autorizado pelo CFC, significa que ele se enquadra nos padrões exigidos de qualidade e experiência.

Nos últimos anos, o CFC vem trabalhando de maneira direcionada para fazer com que mais
escolas capacitadoras sejam autorizadas a oferecer treinamentos para os profissionais da contabilidade.

Isso gera um ciclo virtuoso para a sociedade, pois contadores e auditores altamente especializados serão capazes de realizar trabalhos mais qualificados.

Investidores e acionistas, por exemplo, têm mais confiança nas informações geradas e apresentadas pelas empresas nas quais investem, uma vez que os responsáveis técnicos estão sujeitos ao cumprimento de uma carga horária de aprimoramento pelo PEPC. Os auditores, responsáveis por conferir a veracidade de tais dados, por sua vez, também estão obrigados a pontuar no PEPC.

A tendência é que, no longo prazo, muitos profissionais que hoje não investem em suas especializações passem a fazê-lo, pois o nível de confiabilidade das informações geradas por eles será maior.

POR QUE FOI CRIADO?

Para garantir que as demonstrações financeiras de empresas seguissem os padrões de qualidade, o CFC estabeleceu que, em um primeiro momento, os auditores estariam obrigados a participar do programa de educação continuada.  

Esse programa possuía o objetivo de garantir que os auditores, ao examinarem as demonstrações elaboradas por empresas auditadas, tivessem conhecimentos suficientes para analisar, investigar, sugerir mudanças e aprovar as informações financeiras e não financeiras geradas pelas organizações.

Estava claro que o CFC objetivava o aumento do nível de reconhecimento da categoria por parte da sociedade, além de fazer com que os dados divulgados pelas empresas representassem, de fato, a realidade financeira e patrimonial destas. 

E isso ocorre não somente no Brasil, mas em muitos outros países, como apresentaremos ao longo deste conteúdo.  

O fato é que menos fraudes e informações equivocadas foram geradas, atestando que o trabalho dos auditores sujeitos à educação continuada começava a gerar frutos.

Em decorrência do aumento da qualidade do trabalho dos contadores auditores, uma série de falhas técnicas nos trabalhos exercidos pelos responsáveis pela elaboração das demonstrações financeiras das empresas tornaram-se evidentes à época.

Escândalos financeiros capazes de prejudicar milhares de acionistas, de fato, passaram a ser evitados devido a constante atualização por parte dos auditores. Porém, os profissionais de auditoria passaram a ter muito trabalho com a realização de ajustes nas demonstrações entregues pelas empresas auditadas.

Dessa forma, surgiu a demanda por parte dos auditores para que os profissionais contábeis, responsáveis pela elaboração das demonstrações financeiras das empresas, também passassem pelo mesmo crivo do PEPC, possibilitando o ganho de qualidade em um nível mais amplo e ajudando o trabalho dos auditores.

Para solucionar o problema identificado pelos auditores, o CFC optou por tornar obrigatória a pontuação dos responsáveis técnicos pela elaboração das demonstrações financeiras de empresas.

Foram várias mudanças na norma desde a primeira publicação à situação atual, em que obriga auditores e contadores a frequentar o programa de educação continuada. A quantidade de pontuação necessária para o cumprimento da norma e a forma por meio da qual ela era contabilizada foram revistas ano após ano. Isso até que se chegasse a uma quantidade tida como ideal, tanto para tornar viável a aquisição de conhecimento, quanto a
própria consecução dos trabalhos em si.

Obviamente, o PEPC, de maneira isolada, não fará com que menos fraudes ou atividades ilícitas ocorram por parte das empresas ou decorrentes da ação de seus funcionários
diretos ou auditores envolvidos nos trabalhos de investigação das demonstrações financeiras.  

No entanto, ele diminuirá a quantidade, por exemplo, de erros procedimentais, já que os profissionais contábeis terão mais treinamento do que antes.

COMO FUNCIONA EM OUTROS PAÍSES?

Estados Unidos

Nos Estados Unidos, país com um dos maiores níveis de reconhecimento do trabalho de
contadores e auditores, existe o Continuing Professional Education (CPE), equivalente ao
PEPC no Brasil.

O CPE é o resultado de um pronunciamento sobre as diretrizes que regulam todos os detalhes da educação continuada, confeccionado em conjunto com o American Institute of Certifed Public Accountants (AICPA), que é o instituto americano de auditores independentes, e com a National Association of State Boards of Accountancy (NASBA), que é a associação nacional dos conselhos estaduais de contabilidade nos Estados Unidos.

Lá nos EUA, os contadores certificados (CPAs) são obrigados a realizar os treinamentos e cumprir o CPE de acordo com o que for estabelecido em cada estado e também pelas diversas associações que regulam a atividade contábil naquele país.

Há um grupo de trabalho específico para revisar, sempre que for julgado necessário, o CPE, sendo que a última revisão ocorreu no ano de 2012. Esse grupo de trabalho se reúne com periodicidade trimestral e qualquer decisão tomada que venha a resultar em alterações das normas vigentes deve ser publicada pela NASBA.

A NASBA, por sua vez, tem o papel de comunicar as conclusões tomadas pelo grupo de trabalho do CPE ao patrocinador específico do programa. Todas as alterações realizadas nas normas vigentes deverão ser revisadas por um comitê conjunto, composto por membros da AICPA e da NASBA, entrando em vigor após a análise.

Para aqueles aprovados e que mantiverem com êxito a frequência no CPE, fica outorgado o direito de utilizar o título de CPA, regulado pelos conselhos de cada estado norte-americano.

Isso deve estar de acordo com o interesse coletivo, mantendo a obrigação de confiança pública e conhecimento técnico, habilidades e capacidades correntes em todas as áreas da contabilidade.

Quando frequentam regularmente o CPE dos EUA, os contadores aceitam de maneira tácita a obrigação de cumprir e manter a responsabilidade ética perante a todo o público e a profissão, não importando a área em que os profissionais atuem.

Deve ser enfatizado que, de maneira diferente do que ocorre no Brasil, uma vez que o contador torna-se certificado pelo conselho e habilitado a atuar nos Estados Unidos, essa autorização é apenas estadual, não nacional, como ocorre no nosso país. Vamos exemplificar:

Aqui no Brasil, quando um profissional termina o curso de graduação em Ciências Contábeis e obtém a suficiência por meio do exame, ele é considerado contador e pode atuar em qualquer estado brasileiro.

Nos Estados Unidos, quando ele obtém a certificação e passa a exibir o título de CPA, o contador apenas pode atuar no estado em que obteve a certificação. Se ele fez a prova no estado da Flórida, apenas poderá atuar naquele estado, não em todo o país. Para exercer atividades em outros estados, deverá ser certificado pelo conselho do estado que deseja.

Dada a complexidade dos trabalhos de um contador nos EUA e a importância deste país no cenário empresarial, é aumentada a carga de responsabilidade dos profissionais contábeis, além da tecnologia em franco desenvolvimento.

Não somente esses fatos, mas também a própria evolução regulamentar faz com que as habilidades e as capacidades dos CPAs nos EUA necessitem de revisão contínua.

Dessa maneira, o CPE norte-americano já está enraizado na profissão contábil do país, fazendo com que os profissionais tenham, além de um maior respeito por parte da sociedade, uma obrigação adicional de manter elevado o nível de conhecimento e
desempenho das atividades operacionais.

Argentina, Colômbia e Canadá

Por outro lado, para nossos vizinhos argentinos não existe a necessidade de qualquer comprovação de educação continuada por parte dos profissionais. Da mesma forma, na Colômbia e no Canadá, além da obtenção da autorização para se trabalhar com as
ciências contábeis, nada mais é requisitado. No caso específico da Colômbia é preciso a comprovação de um ano de experiência em áreas gerais da contabilidade.

Chile

A situação é diferente no caso do Chile, que tem a profissão contábil completamente regulamentada desde o ano de 1932. Lá, desde 2005, a Escola de Pós-graduação
do Instituto de Assuntos Políticos (INAP), da Universidad de Chile, desenvolveu um programa que trata do processo permanente de educação para contadores, com o objetivo de aprimorar e atualizar os profissionais da área pública, entre eles o contador.

Além da contabilidade, esse programa oferece treinamentos nas áreas de administração, economia e finanças públicas com uma carga horária de 30 horas cada. No entanto, especificamente sobre a atividade de contabilidade, não há nada que estabeleça a
obrigatoriedade da educação continuada nos moldes do PEPC vigente no Brasil.

Alemanha

Na Alemanha, grande potência da economia mundial, o Instituto de Contadores e Auditores (IDW) regula duas categorias de profissionais contábeis: o contador
público certificado e o fiscalizador licenciado.

O primeiro deles pode ter formação superior em Administração, Economia, Direito, Engenharia ou Agricultura, além de possuir experiência comprovada de, no mínimo, 10 anos em uma empresa do ramo contábil, ou de 5 anos como um contador juramentado, ou como consultor de impostos, ambas as profissões regulamentadas na Alemanha.

Já o fiscalizador licenciado é enquadrado em um categoria inferior em relação ao contador público e possui exigência mínima de experiência de apenas 5 anos como consultor de impostos.  

Nesse caso, ele apenas estará autorizado a realizar os procedimentos de auditoria nas empresas enquadradas como pequenas e médias, de acordo com a legislação alemã.”

E embora a Chambers of Accountants estabeleça a exigência de experiência específica na área contábil, não há nenhuma regra explícita sobre a educação continuada como um critério obrigatório para a efetiva manutenção dos títulos obtidos pelos contadores e auditores alemães.

França

Na França, embora não haja um processo formal de educação continuada, para que se chegue ao nível de contador ou de auditor são necessários aproximadamente 10 anos de estudo contínuo.  

Isso equivaleria ao estudo desde o técnico em contabilidade, já extinto no Brasil, até a obtenção do Diploma de Estudo Superior Contábil e Financeiro (DESCF), sem contar com as experiências de trabalho sob supervisão em empresas de médio e grande porte.

Comparando o quantitativo de horas necessárias transformadas em pontos para que um contador ou um auditor possa se manter atualizado, pode-se fazer uma analogia ao próprio PEPC vigente em terras brasileiras.

Portugal

Por fim, analisando o caso de Portugal, assim como ocorre no Brasil, além do curso superior e da aprovação no exame de admissão à ordem, há um estágio que deve ser realizado pelos
contadores e auditores. Ademais, o Estatuto da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas dispõe sobre a obrigatoriedade de se frequentar cursos de reciclagem profissional, sendo que tais treinamentos devem ser promovidos pela própria ordem ou autorizados por ela. 

QUAIS PROFISSIONAIS DEVEM CUMPRI-LO?

 

De acordo com a Norma NBC PA 12, devem cumprir o PEPC:

 

Profissional

Categoria de Pontuação

a) inscritos no Cadastro Nacional de Auditores Independentes (CNAI) do CFC, exercendo, ou não, a atividade de auditoria independente;

AUD

b) registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), inclusive sócios, exercendo, ou não, atividade de auditoria independente, responsáveis técnicos e demais profissionais que exerçam cargos de direção ou gerência técnica nas firmas de auditoria registradas na CVM


AUD

c) que exercem atividades de auditoria independente nas instituições financeiras e nas demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil (BCB), na função de responsável técnico, diretor, gerente, supervisor e qualquer outro integrante, com função de gerência, da equipe envolvida nos trabalhos de auditoria;

 

CMN

d) que exercem atividades de auditoria independente nas sociedades seguradoras, resseguradoras, de capitalização, nas entidades abertas de previdência complementar reguladas pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) na função de responsável técnico, diretor, gerente, supervisor e qualquer outro integrante, com função de gerência, da equipe envolvida nos trabalhos de auditoria;

 

SUSEP

e) que exercem atividades de auditoria independente de entidades não mencionadas nas alíneas (b), (c) e (d), como sócio, responsável técnico ou em cargo de direção ou gerência técnica de firmas de auditoria e de organizações contábeis. Estão incluídas nessa obrigação as organizações contábeis que tenham explicitamente em seu objeto social a previsão de atividade de auditoria independente;

 

AUD



Responsáveis Técnicos (Contadores e Técnicos Com Registro)

Profissional

Categoria de Pontuação

f) responsáveis técnicos pelas demonstrações contábeis, ou que exerçam funções de gerência/chefia no processo de elaboração das demonstrações contábeis das empresas, reguladas e/ou supervisionadas pela CVM, pelo BCB, pela Susep e, ainda, das sociedades consideradas de grande porte nos termos da Lei n.º 11.638/2007, e também as entidades sem finalidade de lucros que se enquadrem nos limites monetários da citada lei;

PROGP

g) responsáveis técnicos pelas demonstrações contábeis das sociedades e das entidades de direito privado com ou sem finalidade de lucros que tiverem, no exercício social anterior, receita total, igual ou superior a R$ 78 milhões e que não se enquadram na alínea (f);

 


PRORT

h) responsáveis técnicos pelas demonstrações contábeis, ou que exerçam funções de gerência/chefia no processo de elaboração das demonstrações contábeis das empresas reguladas e/ou supervisionadas pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc);

PREVIC


 

Peritos Contábeis

Profissional

Categoria de Pontuação

i) inscritos no Cadastro Nacional de Peritos Contábeis (CNPC) do CFC.

PER



      COMO É FEITA A PONTUAÇÃO?

      Cada treinamento formal possui uma quantidade específica de pontos. A pontuação é atribuída pelo CFC quando este avalia as submissões dos conteúdos propostos pelas instituições capacitadoras.

      A quantidade de pontos que cada um dos profissionais citados no tópico anterior deve
      alcançar é de 40 (quarenta) por ano-calendário. Assim sendo, de janeiro a dezembro de um mesmo ano, um profissional que esteja obrigado a cumprir o PEPC deve somar os 40 pontos. Há outra situação a ser considerada: o valor mínimo de 20% que deve compreender exclusivamente atividades de aquisição de conhecimento.

      Isso significa que eventos como workshops, palestras ou outras atividades que contem pontos, mas que não representem a aquisição de conhecimentos, poderão pontuar. Porém, não poderão ultrapassar 80% do total, correspondendo a um total máximo de 32 pontos

      Os outros 8 pontos, no mínimo, deverão corresponder à aquisição de conhecimentos, como treinamentos formais presenciais ou a distância, com controle de frequência e instrumento formal de avaliação.

      Essa situação de 40 pontos anuais é aplicada quando o profissional ficou em atividades laborais durante o ano inteiro. Na eventualidade de algo que impeça a atividade na totalidade do ano, esse valor pode ser reduzido proporcionalmente  

      É o caso, por exemplo, das mulheres que deram à luz em um ano e não puderam trabalhar durante algum período do ano-calendário. Vamos a um exemplo para ilustrar a situação:”

      Imaginemos que uma auditora estava grávida, sem complicações, e que seu filho nasceu no dia 1º de fevereiro de um ano qualquer. Ela ficou em licença maternidade por 4 meses, desde o início de fevereiro até o final de maio, voltando às atividades laborais de maneira efetiva apenas no dia 1º de junho. O fato é que essa profissional contábil não deve ser obrigada a frequentar o PEPC na totalidade durante esse ano, pois não desempenhou suas atividades de maneira plena, ou seja, durante todo o ano.

      Proporcionalmente, ou seja, 4/12 dos 40 pontos, devem ser descontados da carga de pontos a serem cumpridos por essa profissional.

      No caso, 13 pontos serão descontados da obrigação dela, restando os 27 que devem ser
      comprovados até o final do mês de janeiro do ano seguinte. 

      Este é o prazo para apresentação dos comprovantes relativos às atividades
      atendidas e que estavam credenciadas pelo CFC no PEPC.

      Isso também acontece com quem tem motivos justificados, como é o caso de uma doença, um acidente, ou de uma incapacidade temporária decorrente de uma cirurgia, por exemplo. Casos que fujam à normalidade, como viagens profissionais ao exterior que
      durem tempo elevado, por exemplo, devem ser comunicadas ao Conselho Regional
      de Contabilidade (CRC) correspondente para avaliação sobre a necessidade de comprovação
      adicional, já que o profissional apenas poderá atender aos treinamentos na modalidade a
      distância.

      De qualquer forma, existem diversas maneiras para se comprovar o cumprimento da pontuação e acessar os treinamentos que estão chancelados pelo CFC, sejam eles presenciais ou a distância. 

      COMO A PONTUAÇÃO DEVE SER COMPROVADA?

      Realizados os treinamentos ou demais atividades em um ano-calendário qualquer, o
      próprio profissional é responsável por levar os comprovantes e atestar que cumpriu os 40 pontos durante o ano ou o fez de maneira proporcional. O prazo para essa comprovação é até o final do mês de janeiro do ano seguinte.

      Um profissional obrigado a pontuar e que tenha frequentado treinamentos durante o ano de 2019 deve levar os comprovantes até o último dia de janeiro de 2020 e realizar a regulamentação junto ao CRC ao qual esteja subordinado. Mesmo que os treinamentos tenham sido realizados em outros estados, os comprovantes devem ser levados ao CRC responsável pela emissão de sua carteira profissional.

      Exemplificando: um contador certificado pelo estado do Tocantins não tem a necessidade de
      frequentar os treinamentos apenas no seu estado.

      Ele poderá realizar os treinamentos e completar os 40 pontos de forma integral no estado de São Paulo ou Rio Grande do Norte ou, ainda, poderá obter toda a pontuação com atividades na modalidade a distância, desde que todas estejam autorizadas pelo CFC e constem com o cadastro ativo junto ao órgão.  

      Se o profissional estiver impossibilitado de enviar a comprovação de treinamento até o fim de janeiro do ano seguinte, deverá entrar em contato com o CRC respectivo e comunicar a sua situação, pois, quando o mês de fevereiro tiver início, seu caso se apresentará como pendente de comprovação documental e o cadastro poderá ser inativado.

      Seja em decorrência de uma cirurgia, um acidente ou outra razão qualquer, o contato
      deve ser feito com o CRC correspondente para que, em uma situação extrema, seja eleito um representante habilitado a apresentar a comprovação dos treinamentos realizados pelo profissional em tempo hábil e de maneira a não prejudicar seu cadastro junto ao conselho.  

      POR QUE ESCOLHER EMPRESAS CREDENCIADAS AO REALIZAR AS ATIVIDADES ANUAIS?

      Para permanecer certificado, não basta apenas frequentar cursos e treinamentos de maneira inadvertida. É necessário que essas atividades sejam autorizadas perante ao conselho e que a pontuação específica seja claramente evidenciada antes de ser feita, sem contar com as limitações de pontos existentes.

      Por exemplo, um profissional que tenha frequentado um curso de especialização terá uma quantidade de pontos para o curso e não para cada matéria, de acordo com a carga horária. O profissional deve ficar atento, pois caso a pontuação vire o ano sem ser comprovada, não haverá a possibilidade de completá-la no ano seguinte.

      Por isso, é importante frequentar treinamentos com qualidade atestada e certificados pelo CFC.  

      As instituições, denominadas formalmente de capacitadoras, deverão evidenciar de maneira clara a quantidade de pontos que o treinamento proverá a quem o finalizar, além de especificar a modalidade, pois, além dos auditores e dos contadores, existem o Bacen, a Susep e a CVM.

      Para o profissional, com o objetivo de garantir tanto a aquisição de conhecimento quanto a comprovação futura junto ao CFC, é importante buscar instituições credenciadas e que gerem pontos.  

      Esta procura garante não só a pontuação necessária para ficar dentro das normas vigentes, mas também o acesso a um conteúdo de qualidade por parte dos profissionais.

      No fim do período, ou seja, do ano-calendário, será mais fácil comprovar a pontuação, pois as instituições já deixam claro para todos os participantes a quantidade específica de pontos que cada treinamento oferecerá, além da reguladora específica, no caso de não ser um treinamento realizado por auditores ou contadores.

      Há cursos que pontuam para os auditores e para os contadores, mas que não geram nenhum ponto para os outros profissionais, pois não têm qualquer relação com a atividade deles. Mesmo tratando-se de Bacen, Susep ou CVM, o órgão responsável pela atribuição de  pontuação específica no momento de autorizar o treinamento é o CFC.  

      Seja na modalidade presencial ou a distância, o ideal é que seja procurada uma instituição que possa comprovar que está devidamente cadastrada junto ao CFC e que possua
      histórico e instrutores capacitados, responsáveis por proporcionar o aprimoramento dos conhecimentos técnicos específicos por parte dos contadores e dos auditores.  

      Tabela de pontos e certificação

      Quando se fala em educação profissional continuada, existem diversos tipos de cursos e modalidades de ensino que podem ser pontuadas para o PEPC e que mantêm o contador a par de todas as tendências do setor contábil. Com 40 pontos exigidos anualmente, a tabela de pontuação válida se divide em tópicos distintos:

      Aquisição de conhecimento;

      Válidos como aquisição de conhecimento para o PEPC, incluiu cursos de pós graduação, onde cada disciplina concluída vale 5 pontos; cursos e palestras presenciais e à distância, onde cada hora vale um ponto; auto-estudo dirigido e eventos técnicos relacionados ao programa.

      – Docência;

      Docência em cursos de extensão, graduação e pós-graduação devidamente credenciados, em disciplinas relacionadas ao PEPC, podendo receber 5 pontos por disciplina ministrada. Também é possível obter até um ponto por hora ministrada em cursos ou palestras em eventos credenciados.

      – Atuação como participante;

      Participar de comissões técnicas e profissionais (1 ponto/hora), orientação de trabalhos acadêmicos (bacharelado, especialização, mestrado e doutorado valem respectivamente 3, 4,7 e 10 pontos, se aprovados.) e em bancas acadêmicas de mestrado (3 pontos, se aprovado) e doutorado (5 pontos).

      – Produção Intelectual.

      Publicações em artigos, jornais e revistas com matérias relacionadas à contabilidade, auditoria e à profissão contábil homologadas pela CEPC-CFC (3 pontos por matéria e 7 pontos por artigo publicados). Estudos ou trabalhos de pesquisa técnica apresentados em congressos (de 10 a 15 pontos por trabalho), Autoria de Livros publicados, relacionados à Contabilidade, à Auditoria ou à profissão contábil (20 pontos por obra), Coautoria de livros (10 pontos) e Tradução de livros (10 pontos).

      Tipos de cursos

      Para completar os pontos e preencher a porcentagem obrigatória para aquisição de novos conhecimentos, algumas das formas mais procuradas para a realização de educação continuada são os cursos do tipo EAD. Nesses cursos, com acesso direto à plataforma de estudos e com preços geralmente mais acessíveis que os tradicionais, o profissional consegue exercer a própria autonomia, e, por meio da metodologia que mais se adéqua às suas necessidades acadêmicas, faz a gestão do tempo de acordo com a sua própria rotina. Por ser tão versátil, esse tipo de curso é muito valorizado por quem procura a educação profissional continuada em contabilidade.

      EAD é uma forma de educação a distância. A metodologia utiliza sempre um suporte eletrônico, como tablets, notebooks ou computadores de mesa ligados à internet e conectados a uma plataforma capaz de distribuir e gerenciar o progresso dos alunos. Essa modalidade de curso se desenvolveu a partir das necessidades de treinamento de funcionários nas empresas e é uma forte realidade atual, como forma de treinamento, aprendizagem e formação continuada.

      Enquanto o EAD é uma forma individualizada de educação profissional continuada, há a possibilidade de realizar Treinamentos In Company, envolvendo todo o time de contabilidade. Essa opção leva até a empresa treinamentos especialmente estruturados para suprir as necessidades dos colaboradores e da organização.

      OPÇÕES RECOMENDADAS

      CONCLUSÃO

      O Programa de Educação Profissional Continuada é uma realidade que chegou para ficar no mundo da contabilidade. Não é uma vontade apenas do CFC, é uma necessidade global à qual o Brasil já se adequou e fez com que seus profissionais pudessem seguir. Por ter força de lei, estabelece-se como uma maneira eficaz de aumentar a sua efetividade entre os contadores e auditores, além de fazer com que o trabalho deles possa ter mais reconhecimento por parte da sociedade e pelas próprias empresas que os contratam.

      Talvez, em um futuro próximo, quando todos os profissionais da contabilidade em atividade já estiverem ingressado após a entrada em vigor dessas mudanças, o mercado já esteja mais habituado com a importância do contador para as vidas das pessoas.  

      Embora atuando de maneira indireta dentro das empresas, ou analisando as informações de fora delas quando auditor, a importância do profissional contábil para a continuidade dos
      negócios e para o desenrolar da economia de um país é enorme.

      Se uma nação tem a intenção de se estabelecer em nível mundial, seja por suas empresas ou por seus especialistas, um dos caminhos a serem seguidos é valorizar os profissionais contábeis.  

      Embora o PEPC, em um primeiro momento, não pareça um instrumento de valorização da profissão contábil, em pouco tempo ficará muito claro que ele trará mais qualidade para os contabilistas e, consequentemente, para as empresas que elaboram as demonstrações financeiras.

      Da mesma forma que os 40 pontos podem parecer uma quantidade exagerada para um ano inteiro, de maneira equalizada, correspondem a menos de uma hora semanal de estudos. 

      Para que um profissional se mantenha atualizado, a quantidade de menos de uma hora semanal é muito pouco, mesmo considerando o mês de férias sem estudos.

      Ao buscar um treinamento, sempre procure por empresas credenciadas e que tenham bom conceito junto à comunidade contábil, pois isso fará com que os conhecimentos adquiridos,
      de fato, sirvam para fazer diferença não somente em sua vida profissional, mas para toda a sociedade.
        

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