CPC 36: Consolidação das Demonstrações Contábeis (parte 2)

CPC 36: Consolidação das Demonstrações Contábeis (parte 2)

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Procedimentos de consolidação

Vimos no artigo anterior que o objetivo da consolidação é apresentar as demonstrações contábeis de diversas empresas de um mesmo “grupo econômico”, como se essas demonstrações consolidadas fossem de uma única entidade.

Consequentemente, para atingirmos o respectivo objetivo, a partir do momento que temos as demonstrações contábeis das empresas que serão consolidadas, devemos percorrer os seguintes passos:

  1. Somar e eliminar os saldos das contas contábeis: isso significa combinar itens similares de ativos, passivos, patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa da controladora com os de suas controladas;
  2. Compensar (eliminar) o valor contábil do investimento da controladora em cada controlada e a parcela da controladora no patrimônio líquido de cada controlada;
  3. Eliminar integralmente ativos e passivos, patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa intragrupo relacionados a transações entre entidades do grupo.

Esse procedimento é muito importante, pois a intenção da consolidação é demonstrar adequadamente a posição financeira e patrimonial do grupo, considerando apenas as transações realizadas junto a terceiros. Logo, os efeitos das transações realizadas entre as empresas do grupo (saldos patrimoniais, receitas e despesas) devem ser eliminados no processo de consolidação.

Exemplo prático

Vamos imaginar um grupo econômico com 3 empresas (a Controladora Alfa com mais duas empresas Controladas: Beta e Gama). Vamos supor ainda que a Controladora possua 100% das participações societárias nas empresas Beta e Gama.

CPC 36: Consolidação das Demonstrações Contábeis

Devemos, portanto, somar os saldos contábeis (balanço patrimonial e resultado do exercício) dessas 3 empresas e, na sequência, eliminamos (ajustamos) os saldos e as transações relacionados às empresas do grupo econômico.

Visualmente temos os seguintes saldos:

Balanço Patrimonial:CPC 36: Consolidação das Demonstrações Contábeis (parte 2)

Demonstração do Resultado de Exercício – DRE:

CPC 36: Consolidação das Demonstrações Contábeis (parte 2)

Legenda dos históricos das eliminações:

a) No exemplo acima, a empresa Beta faturou (a preço de custo) para a empresa Alfa o valor de R$ 5 mil. Dado que se trata de um faturamento para o mesmo grupo econômico, consequentemente, esse faturamento, os custos das mercadorias vendidas e os saldos patrimoniais (contas a receber e contas a pagar) entre as empresas do mesmo grupo econômico devem ser eliminados das demonstrações contábeis, pois não são transações realizadas junto a terceiros.

b) A empresa (controladora) Alfa obteve R$ 6.500 de resultado de equivalência patrimonial, oriundo dos lucros das empresas Beta e Gama e registrou o respectivo resultado em sua demonstração de resultado. Dado que o resultado de equivalência está registrado na DRE da Alfa, consequentemente, a empresa Alfa deve eliminar os resultados de Beta e de Gama na consolidação, a fim de o resultado não ficar duplicado.

Quer saber mais sobre análise das demonstrações contábeis? Temos dois materiais gratuitos que aprofundam o assunto e auxiliam no seu dia a dia:

Conclusão

Procuramos trazer neste artigo um exemplo simples e prático de consolidação das demonstrações contábeis. O intuito foi demonstrar a técnica de como é feito o processo de consolidação das demonstrações contábeis, pois existem empresas que analisam suas demonstrações contábeis individualmente e, desta forma, a análise consolidada das mesmas fica prejudicada.

Na prática, a consolidação é bem mais complexa, pois pode haver lucro nas vendas de mercadorias ou serviços, impostos sobre as vendas etc., ou seja, todas as transações que não foram realizadas com terceiros devem ser tratadas e eliminadas no processo de consolidação.

O Grupo BLB Brasil é especializado nas aplicações das IFRS, com uma equipe exclusiva na prestação de consultoria em consolidação das demonstrações contábeis, oferecendo todo suporte necessário para adaptação às normas IFRS e nas áreas de auditoria independente; consultorias tributária e trabalhista.

Remerson Galindo de Souza
Sócio-gerente de Auditoria Independente do Grupo BLB Brasil

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