Família empresária ou empresa familiar? Apesar de parecidas, as expressões guardam diferenças

Família empresária ou empresa familiar? Apesar de parecidas, as expressões guardam diferenças

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O título deste artigo pode assustar à primeira vista, e essa não é a nossa intenção. Mas é preciso entender os conceitos de cada uma das expressões “família empresária” e “empresa familiar” para que o que é louvável e desejável em todo ambiente doméstico, que é o amor entre os membros, não se torne um problema no negócio da família.

Você pode estar se perguntando como o amor entre irmãos, ou entre pai e filhos, pode ser um problema na empresa, e nós vamos explicar. Obviamente ninguém aqui quer pregar o distanciamento familiar, o que estamos dizendo é que, dentro do ambiente empresarial, a razão precisa estar acima da emoção. E essa é, basicamente, a diferença entre família empresária e empresa familiar. Vamos aos fatos, acompanhe!

A família empresária é aquela em que as responsabilidades dos familiares com relação à empresa, bem como entre os sócios, está baseada no conjunto claro de regras e normas, que podem, inclusive, ser baseados no Protocolo Familiar. Já na empresa familiar não há regras planejadas e implantadas.

Na primeira, geralmente a razão rege a tomada de decisões e há na companhia uma profissionalização dos processos envolvidos, a meritocracia está acima dos laços parentescos. Já na segunda tese, a da empresa familiar, é comum que os membros-parentes não distanciam de forma correta o que é família, patrimônio e empresa e o nepotismo impera. Ou seja, há um favorecimento para parentes, mesmo quando estes não têm preparo necessário para tal cargo ou ação dentro da empresa.

Não é preciso dizer muito para explicar o quanto pode ser perigoso para o negócio confundir empresa e família, razão e emoção. É preciso que haja, seja qual for o tamanho do negócio, um planejamento para a profissionalização e a sucessão.

“Passar o bastão” para sucessores é um grande desafio das empresas familiares e precisa ser discutido, e isso vale também na família empresária. Para exemplificar essa importância, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cada 100 companhias com comando familiar, apenas 30 chegam à segunda geração e somente 5 conseguem alcançar a terceira.

E o grande dilema é, justamente, o que estamos explicando nos parágrafos acima: separar as relações familiares do ambiente profissional.

Como profissionalizar a família empresária?

Trabalhar com a família, claro, tem muitos pontos positivos, tais como níveis muito mais altos de comprometimento e de confiança. Mas essa relação tem pontos negativos também, como o risco de conflitos e tensões entre os membros.

A profissionalização, portanto, é de extrema importância e isso significa implantar uma estrutura organizacional e de gestão em que prevaleçam os valores empresariais e a formação e a capacitação de seus dirigentes para o cargo que exercem, sejam eles pertencentes ou não à família proprietária.

Dessa forma, para que uma empresa seja, de fato, profissionalizada é preciso que toda sua estrutura e seus processos sejam norteados por princípios empresariais.

O auxílio de especialistas e profissionais nesse caso pode ter resultados muito positivos, pois vai apontar o caminho e os processos a serem adotados dentro da empresa.

A consequência desse apoio será refletida na própria sociedade e na relação entre os sócios, que ficará mais transparente. Na empresa podemos destacar, como exemplo da profissionalização:

  • Aumento da sobrevivência do negócio no longo prazo, com processos mais eficientes;
  • Maior competitividade e consequente maior lucratividade;
  • Potencialização do quadro de colaboradores;
  • Redução de conflitos pessoais;
  • Decisões mais racionais.
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Mas para que isso tudo funcione é preciso que haja um planejamento estratégico, pois, a partir dele é que uma série de ações será decidida, inclusive definindo as competências que sustentarão a execução da estratégia empresarial na profissionalização.

Qualquer definição de cargos, promoções ou bonificações passa a ser apenas e somente por mérito, além de estar atrelada aos objetivos do planejamento estratégico.

As empresas devem estar conscientes do que significa um processo de profissionalização, que é envolver todas as práticas e sistemas da empresa, desde a área financeira, a de operações e a de pessoal até a gestão de riscos, e precisa contemplar não só a organização, mas também a família.

Promover a estabilidade do negócio é o desejo de todo e qualquer empresário, inclusive os que trabalham em família, e a Governança Corporativa é uma das principais ferramentas para auxiliar na gestão. E nas empresas familiares algumas peculiaridades na Governança são um importante diferencial para sua perpetuação. Mas há uma diferença entre Governança Corporativa e Governança Familiar.

Governança Familiar X Governança Corporativa

Na Governança Familiar um dos principais objetivos é promover a separação entre propriedade e gestão, para que, por exemplo, herdeiros preservem seus direitos como proprietários, mas não, necessariamente, sejam gestores do negócio.

A Governança Corporativa, ao contrário, é implantada em empresas nas quais não existem na diretoria membros com grau de parentesco direto. Por isso as práticas de Governança nas empresas familiares possuem algumas recomendações para atender a demandas específicas.

Uma diferença importante é a formalização dos processos. Enquanto na Governança Corporativa os acordos são formalizados, na Governança Familiar eles geralmente são tratados de maneira mais informal, com a tomada de decisões baseadas no comprometimento moral.  O que não quer dizer não ser encarada com responsabilidade.

Principais pontos da Governança Familiar

  • Assembleias anuais: todos os membros familiares que atuam na empresa se beneficiam desses encontros, pois neles são apresentados os balanços e demonstrativos da situação em que se encontra o negócio;
  • Reuniões do Conselho Familiar: o intuito dessas reuniões é promover a participação dos membros no planejamento e na criação de políticas a serem implementadas na empresa. O objetivo é fortalecer a comunicação e o vínculo entre a família e a empresa;
  • A elaboração de uma Constituição: o documento traz as políticas da família e os valores que devem orientar as ações dos integrantes com o negócio. Seu formato pode variar conforme a composição da empresa: ele pode ser curto, extenso, simples ou detalhado, mas deve ser elaborado com o comum acordo de todos os familiares envolvidos.

Agora que já vimos a importância da profissionalização nos negócios, a diferença entre empresa familiar e família empresária, você pode precisar de uma equipe especializada para atuar na sua empresa. O Grupo BLB Brasil pode ajudar seu negócio neste momento, por meio de sua equipe especializada em Consultoria Societária e Patrimonial.

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